Há muito tempo, na vasta planície de Dura, situada na província da Babilônia, o rei Nabucodonosor mandou erguer uma enorme estátua de ouro com sessenta côvados de altura e seis de largura. O soberano convocou sátrapas, prefeitos, governadores, conselheiros, tesoureiros, juristas, juízes e todas as autoridades das províncias para a solene inauguração daquele monumento. Reunidos diante da estátua ereta, todos permaneciam em pé. Foi quando um arauto proclamou em alta voz uma ordem a povos, nações e gentes de todas as línguas: assim que ouvissem o som da trombeta, da flauta, da cítara, da lira, da harpa, da cornamusa e de todo tipo de instrumento musical, deveriam se prostrar e adorar a imagem de ouro. O edital advertia com rigor: quem não se prostrasse seria imediatamente atirado em uma fornalha ardente. Tão logo ressoaram os primeiros acordes dos instrumentos, a multidão prostrou-se por terra para adorar a imagem.
Contudo, alguns caldeus aproximaram-se do monarca com calúnias contra os judeus. Afirmaram ao rei Nabucodonosor que certos judeus a quem fora confiada a administração da província — Sidrac, Misac e Abdênago — não haviam dado atenção ao decreto real, recusando-se a render culto aos deuses da Babilônia ou a se prostrar diante da estátua de ouro. Tomado de violenta cólera, o rei ordenou que trouxessem os três homens à sua presença e os interrogou diretamente: — É verdade, Sidrac, Misac e Abdênago, que recusais o culto a meus deuses e a adoração à estátua de ouro que erigi? O rei declarou que, caso estivessem prontos para se prostrar ao som da música, muito bem; se não o fizessem, seriam lançados na fornalha ardente, e desafiou: — E qual é o deus que poderia livrar-vos de minha mão?